março 22, 2006

"A menina santa"

(La niña santa, 2004 - Lucrecia Martel)
Depois de "O pântano", Lucrecia Martel confirma que tem um jeito muito peculiar de filmar os sentimentos humanos. É tudo muito intenso e muito real, colocando cada cena perto demais do espectador. Não existem grandes tragédias para movimentar seu filme, mas são os pequenos dramas dos seus personagens que nos fazem virar na poltrona, é a humanidade deles que nos incomoda. Em "A menina santa", a diretora argentina aborda a sexualidade reprimida de duas amigas que expurgam seus desejos nas aulas de catequese católica - onde discutem as várias formas utilizadas por Deus para fazer o chamado para seus filhos. Mas os desejos carnais falam tão alto para a "menina santa" que ela passa a enxergar o sexo como um sinal divino para salvar os homens. Assim, onde se vê abuso sexual, ela enxerga a oportunidade de redenção do pecador. Martel vai conduzindo tudo de forma lenta mas inquietante, expondo o clímax minutos antes do final. A última cena pode inquietar os que querem um desfecho com todas as letras e imagens, mas reforçam sobremaneira a "santidade" da protagonista: tranqüila e feliz - como todos os que praticam o bem - ela flutua na piscina do hotel onde mora, enquanto a vida do seu "protegido" está sendo revirada lá dentro. Apesar de tudo isso, "A menina santa" não me arrebatou e, contrariando a maioria, acho " O pântano" melhor.

4 comentários:

Antonio disse...

Poucos filmes me deixam sem palavras. A Menina Santa é um deles. Belíssimo. E não vi, ainda, O Pântano (que, ao contrário do que você diz, todo mundo diz que é mesmo melhor).

Ícaro disse...

Antonio, o que mais ouvi à epoca do lançamento de "A menina santa" foi que a Lucrecia tinha se superado. Abração.

Michel Simões disse...

Gostei bastante de Menina Santa, mas concordo contigo na preferencia por O Pantano. abraço!

Demas disse...

Acho que as várias nuances dos conflitos da casa de "O pântano" me envolveram mais, sei lá. Abração.