dezembro 05, 2007

"A vida dos outros"

(Das leben der anderen, 2006 - Florian Henckel von Donnersmarck)
A história se passa pouco antes da queda do Muro de Berlim. Wiesler (Ulrich Mühe) é um agente da Stasi - polícia política da República Democrática Alemã - e professor da Escola de Segurança do Estado. Aliás, o filme começa com uma demonstração de como arrancar a confissão de um suspeito. Seu método deixa indignado até os próprios alunos. O clima na Alemanha Oriental é de perseguição aos traidores do regime. Wiesler desconfia, inclusive, de Georg Dreyman, o único dramaturgo não-subversivo da RDA. A partir de uma insinuação do Ministro da Cultura (cujos interesses ficam claros no decorrer da projeção), o agente começa a espionagem, com grampos e escutas espalhados pelo apartamento do escritor. E relatórios minuto-a-minuto de todos os encontros e conversas. Naquele universo fértil de amizades, amor, desejos, música e literatura, Wiesler encontra bem mais do que procurava. Tal descoberta deixa a investigação ainda mais complicada, fazendo com que o espião repense sua conduta e estratégia. Talvez essa mudança seja o único "senão" de "A vida dos outros". E se ela não chega a convencer, contribui - por outro lado - para elevar a intensidade das emoções na segunda metade do filme, cheia de suspense e surpresas. A atuação de todo o elenco é - sem exceção - muito boa. Mas - justiça seja feita - Ulrich Mühe consegue se destacar, com uma interpretação contida - sofrida até - do agente que descobre o que não devia. Preste atenção na expressão dele com um livro de Bertold Bretch nas mãos e - claro - na cena da livraria.

2 comentários:

Lorde David disse...

Realmente um bom filme, bem envolvente, apesar da mudança do comportamento do protagonista e de não ser tão memorável depois de um tempo.

Demas disse...

Lorde David,
não sei que proporção isso pode tomar, mas comigo deu-se o contrário: gostei mais do filme hoje do que ontem, quando o assisti. É quadradão - como já dissemos antes - mas consegue envolver e emocionar.
Obrigado pela visita.

Abração