junho 12, 2006

"Caché"

(Caché, 2005 - Michael Haneke)
"Caché" já começa magnífico: câmera parada mostra a frente de uma casa por vários minutos. Quando a impaciência dá sinal de aparecer, damo-nos conta de que estamos compartilhando com os donos da casa filmada aquelas mesmas imagens, uma vez que eles estão assistindo a uma fita que receberam anonimamente. O que - num primeiro momento - parece uma brincadeira, começa a preocupar a partir do instante em que uma outra fita, registrando a mesma cena, chega acompanhada de um desenho macabro. A vida pacata do casal começa estremecer. Não entendem o que aquilo quer dizer, mas sentem-se ameaçados, temem por si e pelo filho. Para desvendar o mistério, não poderão contar com a polícia francesa, visto que o fato de receberem fitas com aquele conteúdo não constitui crime algum. O esposo mostra-se cada dia mais perturbado e distante, como se escondesse algo, o que deixa a esposa intrigada, frustrada, decepcionada. Fica nítido que a relação deles não vai bem: nunca os vemos trocar palavras de conforto, um abraço, um carinho sequer. Haneke filma um grande suspense a partir de um drama. Bastam alguns minutos de projeção para que sejamos fisgados pela trama que envolve culpa, mentira, desconfiança e medo. Dali até o final, olhos e ouvidos atentos a todo e qualquer movimento ou barulho. Inicialmente, somos cúmplices da agonia daquela família; depois, já somos detetives sedentos de justiça. Por não entregar respostas fáceis, o filme tem seus detratores entre as pessoas que entram na sala esperando tudo mastigadinho. Mas a grandeza de "Caché" ("escondido" em francês) encontra-se exatamente no que não é revelado com todas as letras. Está tudo lá (o passado do protagonista, o casamento frio, o pré-adolescente rebelde, a culpa, a falta de confiança, a xenofobia...) formando um mosaico interessante - mas assustador - da natureza humana. Em tempo: Juliette Binoche e Daniel Auteuil estão brilhantes, em atuações dignas de todos os créditos.

7 comentários:

Fezoca disse...

vou adicionar na minha lista! :-)
beijos,

Michel Simões disse...

Caché, filme do ano!!!

Wallace Andrioli Guedes disse...

Caché ainda não estreou aqui na minha cidade (e provavelmente nem vai estrear), mas cada vez fico com mais vontade de assistir. Vou esperar pelo dvd. Escrevi no blog sobre A Profecia, dá uma passada lá ...

Dona Gérbera disse...

Vim agradecer a visita e dizer que, a partir de agora, não vou mais ao cinema sem antes vir aqui. Beijo, Demas. Ótimo fim de semana pra vc!!!!

Demas disse...

Fer,
adicione e veja o mais rápido possível.
Beijo.

Michel,
é um dos melhores, com certeza.
Haneke me conquista mais a cada filme, viu?
Abração.

Wallace,
seja como for, não deixe de ver.
Abração.

A honra da visita é toda minha, Dona Gérbera. Volte quando quiser e obrigado pela forçã.
Beijo.
E bom final de semana pra você também.

rogermk disse...

Preciso ver!

Demas disse...

Roger,
veja assim que puder. Haneke está se tornando um dos meus diretores preferidos.
Abração.