fevereiro 21, 2006

"Tartarugas podem voar"

(Lakposhtha hâm parvaz mikonand, 2004 – Bahman Ghobadi)
Uma pequena aldeia no Curdistão vira campo de refugiados e abriga dezenas de meninos e meninas órfãos às vesperas da Guerra do Iraque. Enquanto os adultos se preocupam para saber notícias do conflito iminente, é da legião de órfãos a verdadeira alma do filme. São as crianças com suas cicatrizes e mutilações - físicas e emocionais - que mostram na aparência e nas atitudes a verdadeira face da guerra. O filme fica ainda mais intrigante quando um trio de irmãos chega para mexer com a normalidade (?) que parece tomar conta da vida daqueles órfãos: Adrin é uma garota que traz nos olhos uma dor indescritível; Hengov é o irmão mais velho que perdeu os braços na explosão de uma mina; Riga é um menininho cego de uns 4 anos. Uma coisa no passado dos 3 torna aquela relação insustentável e muito difícil a convivência deles com as demais crianças. A amargura de Adrin atravessa a tela e dói na gente. O filme é sombrio mesmo. E nem teria como ser diferente.

2 comentários:

Michel Simões disse...

Belo filme mesmo Ícaro, abraço!!!

Demas disse...

Quem disse que não existe beleza no triste, hein?! Abração, Michel.